quarta-feira, 7 de agosto de 2013

APRENDENDO A SER FELIZ




Por Edna Palladino
  Precisamos ser vigilantes no cuidado de não permitir a “negação” que temos em aprender como ser felizes, perder o temor do sofrimento encarando-o como uma oportunidade para repensar a vida rumo a uma nova fase... mais feliz”, pois temos passado pelo aprendizado em outras áreas da vida para nos tornarmos bons profissionais e bons intelectuais e no casamento, não é diferente: aprender é crescer (se não desejo crescer, também não deveria desejar casar!).

Nossos novos papéis também exigirão aprendizado e crescimento para enfrentarmos as durezas do dia-a-dia como: “sair para trabalhar a fim de pagar as contas”; “executar tarefas diárias e repetitivas”, “a possível chegada do primeiro filho”, entre outros e, para isso, precisaremos contar com uma boa dose de bom humor e empatia.

Não precisaremos abrir mão de nossa identidade pessoal, nem exigir que o outro assim faça, pois para a construção de uma nova história a dois precisaremos considerar e respeitar as diferenças e peculiaridades pessoais de cada um que são muito valiosas e são bem diferente dos individualismos (pessoas centradas apenas em si mesmas), para assim, construirmos a nova identidade do “nós”.

Para vivermos a boa experiência do “nós” será preciso a postura de  “ambos”, pois haverá prejuízos quando um se torna rígido na caminhada a dois, pois o comportamento de um dificultará o do outro, que na mesma “canga” não poderá, sozinho, continuar com êxito a caminhada conjugal.  Então na construção da felicidade a caminhada precisa ser a dois.

O grande entrave do “nós” é o individualismo crescente num mundo centrado nas realizações e felicidades: se alguém está insatisfeito tem o direito de viver suas fantasias, mas sem que se tenha que investir e buscar acordos que satisfaçam ambas as partes.

  E o mais importante: os cônjuges deverão buscar cada um a sua felicidade e seu bem-estar pleno, silenciosamente em Cristo, através de suas próprias ações e decisões para cessarem as queixas de que foram enganados a respeito das qualidades um do outro.

Podemos agora compreender que “ser feliz” é uma relação que eu tenho com as expectativas que carrego e as habilidades que desenvolvo para realizá-las.

domingo, 4 de agosto de 2013

NOSSA FORMA DOENTIA DE SER GENTE




                                                     Por Edna Palladino

Precisaremos reconhecer: somos rígidos e opositores a quase tudo na vida, inclusive a Deus.
O que deveria estar claro pra nós e não está? Nossa forma doentia de ser gente.

A relação das obras da "carne" é conclusiva e estampa o modo de ser irresponsável que coloca nós mesmos em perigo.
 A imoralidade, impureza e indecência: significa como se  experimenta a sexualidade de modo irresponsável, tendo o outro como objeto de prazer.

A idolatria e feitiçaria: um modo de viver espiritualidade que pretende tirar da divindade tudo o que pode, oportunizado por um  "saque" de coisas, a busca de um lugar geográfico extra terrestre espiritual para a eternidade, o inferno torna-se um lugar temido por ser quente demais, ter gemidos, ranger de dente... Mas não por não ter Deus lá!

As inimizades, rivalidades, ciúmes, iras, ambição, dissensões e partidarismos: quando todo ambiente que se frequenta é afetado pelo mal humor, desamor e revolva contra o outro que sequer sabe o quanto pode estar sendo odiado às escondidas...

Por último, mas não totalizando a lista, temos as invejas, bebedeiras e orgias: são as formas de "adição" preenchendo lacunas deixadas por histórias passadas não enfrentadas nem cuidadas, escravos de uma  modelo psicológico adoecedor vivido e, por isso, impedido da construção de um novo padrão cheio de outras possibilidades.

Mas, podemos ter outras coisas!
Amor: uma relação onde o outro não é objeto do meu prazer, nem o responsável por minha felicidade, que eu mesma devo me responsabilizar.

Alegria, paz, paciência: uma espiritualidade centrada na Pessoa de Deus e não no que pode receber.

Benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade: Forte rede de relações em que sou construído também pelo outro que compartilha comigo suas experiências e, enfim, o Domínio próprio: Sou responsável por aquilo que preciso e sou criativa para suprir minhas necessidades.

Só tem um jeito! Crucificar a carne, as paixões e o desejo. Penso ser um tipo de vida diária que contemple a busca do conhecimento de si, do conhecimento da minha história e terminantemente,
abandonar toda forma de violência que caracteriza orgulho e inveja.

Todos os dias, aos pés da cruz, todo dia, todo dia... Não tem outro jeito!

O QUE BUSCO MESMO É AQUELE AMOR PROTEGIDO...




Por Edna Palladino   

Um dia um pai deu um poço a seu filho, que se viesse a ter sede,
 buscaria ali saciar-se.

Bom demais beber na fonte do papai e da mamãe
 da nossa infância!

 Eu procuro esse “poço”, mas não é bem o “poço”, é aquele amor protegido e cuidador...

Interessante! Eu busco esse “poço” nos outros, nas faces mais diversas...
Mas, não encontro! Então, continuo procurando...

As “fontes” presenteadas pelos pais não secam nunca e buscamos dela 
 quando nos sentimos ameaçados.

Hora de cavar as próprias fontes... 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

FAMÍLIA CENTRALIZADA EM CRISTO OU NA TECNOLOGIA?





Por Edna Palladino
Ouvi uma linda palestra do Pastor Russel Shedd e gostaria de compartilhar entre aspas:"A importância da centralidade de Cristo no lar e a importância desse ambiente que criamos nossos filhos, nos leva a pensar sobre o segredo central que a família deve ter para se manter unidas e com propósito sérios, e não uma família com as crianças na rua, o que é um desastre principalmente de crianças foragidas de casa, que criam uma espécie de comunidade para viver sem os pais.

No texto de Efésios 3:14,15, Paulo menciona o segredo de uma família que se mantém unida,  que não têm divórcios, que todos os filhos mantém a esperança de estar reunidos com seus pais no lar celeste também,  vejamos o que diz o texto: “Por essa razão dobro o meu joelho diante do Pai, de quem toda família toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais interiormente fortalecidos com poder pelo seu Espírito”.

Precisamos captar o ensinamento deste texto aplicá-lo à nossa família, especialmente aos nossos lares, (toda a família recebe o seu nome), Deus deve se interessar por nosso pedido em família.Que família este texto tem em mente?Cada família tem uma identidade e recebe seu “nome”, este nome é de um pai: Deus.

 Ele deseja  que estes filhos tenham  certas características que “unam a família”, que seja uma família coesa e alegra que por gerações  mantém esta aura de ter descendido de pais nomeados como filhos de Deus.

 Estamos falando de uma oração, amados irmãos, e para que Deus responda essa oração, precisamos saber o que pedir, o que é primordial.O que pedir?Paulo pede que o Criador que inventou a família com seu amor intenso, a ponto de mandar seu filho a morrer em nosso lugar, que ele nos fortaleça com poder do Espírito Santo, para podermos permitir e dar espaço para que no lar individual do coração de cada integrante da família,  Jesus possa habitar e ser central.

Deus quer compartilhar conosco da comunhão que tinha com o Filho e nos manda seu Espírito para que aquilo que não é natural, mas existe em nós por sermos pessoas egoístas e interesseiras em nossos relacionamentos familiar e conjugal, que Ele esmague tais interesses, e coloque outro no lugar: esse outro interesse é Jesus Cristo."Quais os primeiros passos a serem dados?

Coloque responsabilidades no uso da tecnologia: celulares, computadores...Será preciso colocar normas, pais necessitam pedir ajuda se não conseguem construir limites.

Converse com seus filhos e cônjuge sobre os perigos e benefícios das redes (veja artigo neste blog sobre O uso indevido da Internet).

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MINHAS TRISTEZAS DE CADA DIA: NÃO É POSSÍVEL DEIXAR CORRER SOLTO



                                                                                         Por Edna Palladino

LENDO A BÍBLIA VOU ME APROXIMANDO DE SUAS NARRATIVAS HISTÓRICAS E DE SEUS CONSELHOS...

VOU DESCOBRINDO COMO A VIDA DEVE SER SIGNIFICADA. 

QUANDO PERCEBO O INVESTIMENTO MALIGNO SE DANDO NO ÂMBITO DOS MEUS SENTIMENTOS, POSSO COMBATÊ-LO COM TAIS VERDADES QUE TENHO.

MAS QUANDO UM SENTIMENTO DÁ LUGAR À MELANCOLIA, POR EXEMPLO: A TRISTEZA FAZ PARTE DA EXISTÊNCIA, MAS A TRISTEZA NÃO DISCERNIDA CRIA UM MODELO DE SENTIR A VIDA QUE VAI  MINANDO MEU MODO DE SER, TUDO QUE  SINTO É PROFUNDA TRISTEZA, E MINHAS CARÊNCIAS NÃO PERCEBIDAS NEM CUIDADAS SE TORNAM  AS MOLDURAS DA MINHA IDENTIDADE. 

JESUS É LEVADO PARA O DESERTO PARA SER TENTADO E PERDER O FOCO E O SIGNIFICADO DA VIDA, MAS ELE COMBATE TODAS AS "PSEUDOS VERDADES" COM A VERDADE QUE CONHECIA MUITO BEM. 

EXISTE NAS METÁFORAS BÍBLICAS UMA ÁRVORE PLANTADA JUNTO À RIBEIROS DE ÁGUA, QUE DÁ FRUTOS NA ESTAÇÃO PRÓPRIA, CUJAS FOLHAS NÃO CAEM, ... TALVEZ ESTA METÁFORA ESTEJA NOS MOSTRANDO QUE A CAPACIDADE DE DISCERNIR O FRUTO QUE ESTOU VIVENDO NAS MINHAS EMOÇÕES, SEJA MUITO IMPORTANTE.

ACREDITO QUE NÃO PODEMOS FICAR "MARINANDO" SENTIMENTOS DE TRISTEZA, RAIVA, INVEJA, PANICO, DEPRESSÃO, E QUALQUER ESQUISITICE DESSAS.

É PRECISO SE TORNAR PORTEIRO DO PRÓPRIO CORAÇÃO. INTERROGUE CADA PENSAMENTO, CADA SENTIMENTO E PERGUNTE:VOCÊ É DOS NOSSOS OU DOS NOSSOS INIMIGOS?. 

ENTÃO, SE A TRISTEZA QUE ESTOU SENTINDO FAZ PARTE NATURAL DA EXISTÊNCIA: IRÁ PASSAR, MAS SE É UM SENTIMENTO MALDITO QUE ME LEVARÁ PRA UM ESTADO DE MELANCOLIA PROFUNDA, EU VENÇO COM DISCERNIMENTO EM NOME DE JESUS!


terça-feira, 30 de julho de 2013

QUEM SOMOS?





Por Edna Palladino


 O texto bíblico de Gênesis 2:18, nos diz: “Não é bom que... esteja só; farei... alguém que auxilie e corresponda”, convida  cada casal ao pensamento de que somos criados à imagem de Deus, e de que seu desejo para cada um de nós é de não estarmos sós, sendo, porém o mito da incompletude uma cilada (aquele Mito que diz: fulano ou fulana é minha outra metade!)

 Precisaremos desconstruir o mito de “incompletude”, isto é, desfazer o mito de sermos “duas metades” em busca uma da outra: o mito da incompletude é uma cilada, pois somos seres integrais em nossa união, ninguém é a “metade” do outro. O mito do casamento perfeito é o principal fator que leva ao divórcio.

Somos seres integrais em nossa união. Então, a armadilha de deixarmos de ser quem somos
para agradar o outro, é uma possibilidade que precisa ser repensada e não procede de Deus.


Temos que estar alertas para não estabelecermos uma “relação de parasita”, onde  um precisa do outro para ser feliz. Estas percepções nascem de fontes fantasiosas trazidas pelos filmes e novelas, recebidas como promessas que deverão se cumprir, nem sempre reais e possíveis de ser realizadas.

Fugimos da responsabilidade de sermos nós mesmos responsáveis pela nossa felicidade e não o outro.

Nossa atenção precisará ser redobrada sobre a tal “exigência” de que o outro cumpra a promessa de nos fazer felizes, pois em pânico e desconfiados de que nosso “sonho de felicidade” possa ter sido abortado, entramos num estado de guerra em que a  “luta pelo poder” na relação, “manipulação do dinheiro”, “omissão sexual”, “queixas contra parentes”, “ficar mais tarde no trabalho”, terá a intenção de recuperar a busca da felicidade perdida.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ALGUÉM QUE ESCUTE BONITO





                                                                                                    Por Edna Palladino

Se eu pudesse encontrar alguém que escuta bonito iria até o fim do mundo pra encontrar – alguém que não sucumba à terrível frase de efeito, que em nada ajuda: “Seu eu fosse você”.  

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". O que a gente ama não é a pessoa que fala bonito, mas que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção". De Rubem Alves

Gostamos demais de dar conselhos, de contar nossas experiências como forma de que o outro encontre solução no mesmo formato, até porque nos sentimos sempre tão impressionados com nosso próprio contexto de resoluções, tão apaixonados pelo  nosso “umbigo” em crise...

A busca por isolamento vêm da falta de uma importante companhia que saiba o que é sofrer, de entender que há momentos em que restam apenas redes e vontade de dormir.

Será preciso aprender o som respeitoso dos pardais devotados à Majestade Sabiá, e então melodiar silenciosamente com os que me rodeiam.

“Tô indo agora pra um lugar todinho meu. Quero uma rede preguiçosa pra deitar, em minha volta sinfonia de pardais, cantando para a Majestade O Sabiá!”

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PADRÕES EM FAMÍLIA



                                                                                    Por Edna Palladino


Padrões em família, são aqueles  “jeitões” que cada família tem de construir
as coisas, e  não importa de onde trouxeram, das atitudes dos avós ou  pais,
se aprenderam  assistindo a telinha ou a “Fazenda”, o fato é que está incutido
naquilo que a família faz e acredita.

O “jeitão” de Abraão com Sara é colocá-la como escudo na hora da dificuldade.
Bastava um incidente, uma crise, um conflito pra que ele resolvesse a questão
da forma mais difícil, pelo menos pra ela, que com certeza pensava: “Como ele pode
resolver as coisas de forma tão mesquinha!”

Mas ela também tem seu “jeitão”, diante da grandes expectativas de ser mãe
 aponta o marido como responsável por sua felicidade: “Realize meu sonho, tome minha
empregada, tenha uma noite com ela, e através dela, que eu tenha um filho com você, se vira!”

Talvez Abraão tenha pensado: “Quem disse que a construção da felicidade dela,  deve ser de minha responsabilidade e não dela mesma?”

"Para manter viva a relação, os parceiros precisam aceitar o desafio de construir  seu próprio vocabulário e seu modelo exclusivo de ajustamento, onde permaneçam visíveis os nomes, rostos e desejos de ambos." 

terça-feira, 23 de julho de 2013

DEIXAR DE LADO AS VELHAS PROTEÇÕES




                                                         Adaptado por Edna Palladino
Moisés está casado, e tira seu sustento trabalhando com o
sogro no pequeno sítio que eles têm em família.
Certo dia, enquanto trabalha se depara com uma visão.

Deus fala com ele no meio do trabalho. É uma convocação
pra mudar o rumo de sua vida toda ajeitada pelo clã.

É extremamente precioso o simbolismo do ato: "Ele lhe pede para
tirar as sandálias dos pés - deixar de lado as velhas  proteções e sentir a presença
de Deus com a nudez dos pés".

Deve ser por que Moisés precisa de outra base, formada por Deus mesmo...

DEIXAR O LUGAR DA INFÂCIA E PARTIR PARA O DESERTO





             Por Karin H.K. Wondracek   

Do meio de uma folhagem sem importância, Deus fala com Moisés.



Convoca-o para mudar o rumo de sua vida.

Moisés lança mão da velha tentativa de usar a si mesmo como referência:
"Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?"

Como resposta, Deus não afirma nada a respeito de Moisés, nem
procura infundir nela uma autoimagem confiante para incentivá-lo
a ir. Apenas afirma o essencial a respeito dele mesmo: "Eu estarei
contigo". o fator decisivo na história de Moisés não é quem ele é, mas
o fato de estar junto de um Deus que É.

 Não é fácil deixar o lugar da infância e partir para o deserto.
Muitas vezes e preciso sofrer com algumas pragas para "deixar ir".
Não apenas o Faraó, mas o povo também não acreditava no
Deus que o convocava: "Pelo meu nome, o "Senhor", não lhes
fui conhecido" (Êx. 6.3b).
Precisamos saber quem é esse Eu Sou que nos chama para
caminhar com ele.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A DIFÍCIL ARTE DO ENCONTRO




                                                                                            Lidia Rosenberg  Aratangy

Este é o instante antes do instante, um momento antes do momento. Eles ainda não sabem, mas já está acontecendo. O próximo gesto dele já será sensual, a próxima respiração dela já será um arfar. Leve, muito leve.

Já não é possível voltar atrás: a descoberta se impõe. Vão se perceber, macho e fêmea. Isto é: incompletos. A carência vai imprimir sua marca, no próximo instante. A partir daí, perdida a paz. Para sempre, a sensação de falta vai instalar o medo da perda. O suor na fronte, gelado, virá do cotidiano trabalho de conviver com isso.

Esta morte temida, assustadora: a ameaça de separação é o estigma de mortalidade que nos faz tremer. Ser de volta remetido à própria incompletude, depois de ter conhecido a união.

Impossível refazer a ilusão de independência, de auto-suficiência, de inteireza. Ainda estão nus, mas já vão se aperceber disso e sentirão vergonha. E terão de esconder o que os diferencia e, portanto, denuncia a carência e faz brotar o desejo. Agora, vamos ter que inventar a fantasia, para poder sobreviver à fenda. Para podermos aguentar tudo o que vai nascer dentro de um instante, quando este abraço encontrar o seu destino e mapear esses corpos com a geografia da sensualidade.

Anunciam-se a traição e a culpa, o medo da fragilidade e o jogo do poder. A partir de então, um terá sobre o outro o poder de vida e de morte: o olhar poderá confirmar o afeto, reafirmando a vida; ou congelar a distância, condenando à morte.

Daí em diante, a insegurança será parte ineludível da condição humana. Pois este é o preço da sexualidade: a perda do paraíso.

SÍNTESE DE PEQUENA PORÇÃO NECESSÁRIA



                                                                                             Por Edna Palladino

As sínteses trazem em si a capacidade de dizerem muito em pequenas porções, o que é verdade também com a vida da gente. Então é preciso desistir da propaganda enganosa que podemos estar
 nos tornando para os que estão ao nosso redor. Por causa da nossa insipidez e dos nossos vícios de sabores que escolhemos comer e ser, podemos estar tirando dos nossos queridos a alegria de viver.


O QUE DIZ A SABEDORIA PARA ELE E ELA
ELE: “Desfrute a vida com a mulher a quem você ama todos os dias desta vida sem sentido que
Deus dá a você debaixo do sol! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho
 debaixo do sol” (Ecl. 9:9).

  DESFRUTE: Um amor prático: 

Desenvolva perdão: é no “despacho” do desamor que o mal cresce no mundo.
Construa diálogo: Tudo começa com o “como” você pensa nas coisas – se você pensa
“assombrações” das pessoas – em sentenças que se tornam julgamentos permanentes
que adoecem sua esposa.


Permita a ela um lugar de criatividade e autonomia responsável: “não faz mal à sua própria carne”, sendo, assim não poderia esquartelá-la, não é?
TODOS OS DIAS: não tirar férias do gozo da vida: o problema do mau humor crônico.
Não sucumba à lógica do gozo perverso, compartilhe
cuidados, afetos e compreensões.que fazem parte do sexo como um
 toda da construção da intimidade.


ELA “... faz-lhe bem e não mal, todos os dias da sua vida”. (Prov. 31:12).
 Não se renda à histeria nem à liberdade descompromissada: construa nova história para si.
Permita que seja construído um espaço para seu marido na casa: abandono das atitudes de megera.
Abandone a condição de mulher frágil e sensual distante da realidade: é preciso se perceber
para crescer e tornar-se uma mulher madura, responsável por
resolver seus próprias conflitos sem culpar o outro por sua infelicidade..


Enfim, cada conjuge precisa encontrar na conjugalidade um espaço de demonstração de  escuta e compreensão, de amor e sacrifício.


Gosto de parar diante da sabedoria da bíblia, como quem olha demoradamente
 para uma pintura que precisa ser decifrada. Nas escolhas dos afetos,
 ela propõe que tenhamos disposição para dispensar cordialidade.
 Diz do amor um tal de “lhe querer bem e não mal todos os dias da sua vida”,
com provérbios da esposa sábia. Mas, que miséria para nossas almas humanas!
 De tão simples que é, acaba por nos escorrer entre os dedos!
Das lembranças que trago na vida, o desamor é recordação que não gosto de ter – sempre foi e será o que mais me faz doer.










quinta-feira, 28 de março de 2013

MÃE SUFICIENTEMENTE MÁ





Na tragédia ocorrida com Tarcila Gusmão e Maria Eduarda Dourado, ambas de 16 anos, em Maracaípe - Porto de Galinhas. Depois de 13 dias desaparecidas, as mães revelaram desconhecer os proprietários da casa onde as filhas tinham ido curtir o fim de semana.
Vamos pensar melhor nesta liberdade sem construção de responsabilização que nossa sociedade Pós moderne tanto engrandece.

"Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:

- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia. 

- Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar". 


- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

- Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos. 

- Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração. Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. 


- Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:

 - Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo... 

- ... as outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

- ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e "fuçava" nos nossos e-mails). Era quase uma prisão! ...

- mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.


- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela "violava as leis do trabalho infantil".

- Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis...

- Eu acho que ela nem dormia á noite, pensando em coisas para nos mandar fazer. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos...

- A nossa vida era mesmo chata! Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer...

-Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa ( só para ver como estávamos ao voltar).

- Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência!!!

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DELA!"

domingo, 24 de março de 2013

ESSE MEDO DO MEDO, DO MEDO QUE DÁ!




                                                                                                 Por Edna Palladino


Nosso querido João em sua carta nos dirá: "o perfeito amor lança fora do medo", que é o mesmo que dizer: sai  "desse lugar de medo e vem pra casa do amor, seu devido lugar".
Vida cheia de medo é vida cheia de controle sobre os outros, de imposições, manipulação e dominação - é o medo de perder algo, e de tão grande este medo, só consigue viver a vida esbravejando: aquele jeitão de valentão ou de valentona...
Precisamos compreender que nossa casa real é a "casa do amor" em que as falas são colaborativas e possibilitadores da transformação do outro...
Até passamos pela "casa do medo" vez em quando... mas é preciso perceber que lá não é meu verdadeiro habitat, tenho casa do "amor" pra morar, ufff!
Só não dá pra ter "medo" de pipocar em amor, mesmo que pareça sinal de fraqueza, até porquê, menos é mais, lembra?

Musica do Lenine - Medo

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

                                                                                              

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DE REPENTE 60... QUE FRIO NA BARRIGA QUE DÁ!




                                 Por Regina de Castro Pompeu


DE REPENTE 60 (ou 2x30)

Ao completar sessenta anos, lembrei do filme “De repente 30”, em que aadolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta,formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber oque aconteceu nesse intervalo.


Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade.
Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?
Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na
escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou
aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela
virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um
casamento que durou tão pouco!Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira
febre do filho que hoje tem mais de trinta anos.
Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso
espaço!


Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais

lutando pela sobrevivência.
Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela
aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos
depois.


Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade,
num novo posto de trabalho.
Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava
ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho
todas as manhãs.


Tive o privilégio de viver uma época de p
rofundas e rápidas
transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael
Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a
Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às
passeatas pelas diretas e empeachment do presidente a um novo país misto
de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao
bebê de proveta e o pesadelo da AIDS. 


Testemunhei a conquista dos cinco
títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).
Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só
conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas
transmissões, vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e
algumas guerras modernas.


Passei por três reformas ortográficas e tive de

 aprender a nova
linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio
desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem
tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.
Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos,
projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico
ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao
banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares
que um dia sonhei conhecer.


Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a
orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em
turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os
alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho
aprendido muito mais que ensinado.


Só agora comecei a precisar de óculos para perto (para longe eu uso há
muitos anos) e não tinjo os cabelos, pois os brancos são tão poucos que
nem se percebe (privilégio que herdei de meu pai, que só começou a ficar
grisalho após os setenta anos).


Há marcas do tempo, claro, e não somente rugas e os quilos a mais, mas
também cicatrizes, testemunhas de algumas aprendizagens: a do apêndice
me traz recordações do aniversário de nove anos passado no hospital; a
da cesárea marca minha iniciação como mãe e a mais recente, do câncer de
mama (felizmente curado), me lembra diariamente que a vida nos traz
surpresas nem sempre agradáveis e que não tenho tempo a perder.
A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo diminuiu, lembro de
coisas que aconteceram há mais de cinquenta anos e esqueço as panelas no
fogo.


Aliás, a memória (ou sua falta) m
erece um capítulo à parte:
constantemente procuro determinada palavra ou quero lembrar o nome de
alguém e começa a brincadeira de esconde-esconde. Tento fórmulas
nemônicas, recito o alfabeto mentalmente e nada! De repente, quando a
conversa já mudou de rumo ou o interlocutor já se foi, eis que surge o
nome ou palavra, como que zombando de mim...
Mas, do que é que eu estava falando mesmo?
Ah, sim, dos meus sessenta.


Claro que existem vantagens: pagar meia-
entrada (idosos, crianças e
estudantes têm essa prerrogativa, talvez porque não são considerados
pessoas inteiras), atendimento prioritário em filas exclusivas, sentar
sem culpa nos bancos reservados do metrô e a TPM passou a significar
“Tranquilidade Pós-Menopausa”.


Certamente o saldo é positivo, com muitas dúvidas e apenas uma certeza:

tenho mais passado que futuro e vivo o presente intensamente, em minha
nova condição de mulher muito sex...agenária!