sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

HÁ MUITO QUE COM ESTA MULHER QUE DESCONHEÇO ERRO



                                                     Por Edna Palladino

“Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho?  Não sei...
A nossa vida não tinha dentro. Éramos fora e outros. “Desconhecíamo-nos...” Por Fernando Pessoa

Conhecer pra quê?  Só se fosse pra admirar eu nela! Mas ela nela mesma, não agüento, dá ojeriza, quero não!
Sabe de uma coisa? Preciso cumprir meu sonho: quero alguém que me faça feliz sem que eu precise fazer esforço algum – nenhunzinho sequer. 

Li de um amigo de caminhada terapêutica: “matrimonio é um pacto entre duas pessoas que, motivadas pelo sentimento de amor e ternura uma pela outra, resolvem construir juntas suas vidas, apoiando-se mutuamente e tornando-se a âncora do desenvolvimento da auto-estima da outra.”

domingo, 1 de janeiro de 2012

UM TAL DE SIGNIFICADO...




Por Edna Palladino

Seria tão bom que as refeições já viessem prontas à nossa mesa.
Medida certa de sal, de óleo, bem quentinhas em seu estado natural.
Nossa! Seria formidável!
Nada de panela, nem fogão e água pra lavar os grãos.
Seria o fim de toda indisposição e mesmice, de todo suor.
De toda incomodação.
Mas pensando bem...
Cada ingrediente alimentar, em sua forma rudimentar traz seu modo peculiar de preparar.
Será por quê?
Toalha na mesa, talheres, servir tudo quentinho, menos a salada, ela é boa fria.  
O pessoal está atento, o cheiro das iguarias enche a casa, ao menor sinal de "tá pronto, pessoal", se atropelam em busca de um lugar disputadíssimo.
 A conversa soa alta, como vagão desgovernado morro abaixo.
Pensamentos velados soltam-se em prosa quase sem querer, fazendo-se conhecer.
Pequenos resmungos denunciam insatisfação, enquanto que boas e longas risadas, gratidão. A última bem pode contagiar a primeira... 
As carinhas tristonhas falam de possíveis conflitos, alguns  já marinados...
Tudo bem! À mesa tem ouvidos acolhedores.
Nossa! Tivessem os casais modernos percebido – arroz, feijão, panela e fogão é paixão  pra quem deseja cravar um certo chão.   

CASA ARRUMADA



A vida é muito mais que casa arrumada…
E esse texto de Carlos Drumond de Andrade deixa claro isso:
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ÁRVORE DA VIDA, O FILME


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

                                                                                                         Por Edna Palladino
Árvore da vida: a conjugalidade pode se reorientar

O filme "Árvore da vida" é de bom tom, como um bem para a humanidade. Assisti-lo é de tirar o fôlego! Há uma relação com a transcendência e uma  consciência da relação disfuncional que não se vê tão facilmente nas produções de Hollywood. Talvez pelo fato da nossa cultura curtir outro tipo de dramaturgia, que com certeza não esbarra na categoria das relações famíliares afetivas mais complexas.  

No elenco nada menos que o belo Brad Pitt, incorporando o personagem de um pai vivendo a fase da família com filhos pequenos com idade escolar e outro entrando na adolescencia. A sedução do ator tão comercializada, deu lugar ao que é mais importante – as relações humanas, principalmente aquelas desenvolvidas no desgaste da violência doméstica que faz do cotidiano um tormento. 

O filme mostra como a relação conugal pode ser extremamente angustiante para todos na família, quando um dos conjuges (o pai), não tem consciência de sua própria sombra e não faz leitura de si. As carências afetivas (da mãe), trazidas da família de origem, que constróem expectativas  de preenchimento desse vazio buscado no marido. A identidade dessa conjugalidade é então colocada "goela abaixo" como um "vir a ser" na formação dos filhos -,  como um padrão que se repete.  Não sem as devidas conseqüências que são as fortes turbulências no dia a dia dessa família.

Olhando para ele, o pai: uma mistura de pai severo com pai amoroso, horrível para a qualidade de afeto que os filhos vão  atribuir: temos amor ou ódio? A mesma mão que ora afaga, espanca... A mesma voz que soa delicada, de repente grita ou corrige com ira... Então, que pai é esse? ... O menino vai crescendo sem saber responder... Confuso entra nas casas dos outros, se rebela contra a mãe, tem pequenos atos sádicos com o irmão mais novo. Adolescente aborrecente... ou confuso?

Olhando para ela, a mãe: ocupa lugar de sofredora, prefere viver timidamente e ocupa o lugar que a sociedade, ainda hoje, gosta de impor à mulher: alguém de alma frágil e quebradiça. Depois de episódios de muita hostilidade e violência por parte do marido, ela dança com os filhos pela casa, solta, alegre - naquele momento está com as rédeas do coração nas mãos. Ela dança como se estivesse celebrando a maternidade, sua prole lhe soa como uma valsa naquele momento, mas só acontece porque o vilão (marido), não está, tinha viajado. Uma alegria que tem tempo de validade, pois depende unicamente do ambiente externo para ser experimentada. Sua tristeza sempre retorna e a faz cansada e amarga. Próprio da mulher que não consegue se encontram a não ser a partir do marido. 

Uma grande beleza na trama... Ele (o pai), no final, reorienta sua vida, torna-se alguém que se reconhece em suas idiossincrasias e muda, que coisa grande, mudar!  

Interessante... Ela (a mãe), no final, se deixa enrijecer com a dor de um luto que não passa, não percebe que a vida roda e não temos controle algum sobre isso. No entanto, podemos sobreviver a tudo e sermos abraçados pela certeza de que o passado é nossa história e experiência vivida –, é nossa identidade com a qual construimos nosso presente e delineamos nosso futuro.